Fabio Murakawa

Deputados pressionaram nesta quarta-feira (9) o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, contra as indicações de dois nomes feitas pelo presidente da República, Michel Temer (MDB), para a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Em audiência pública na Câmara, eles se manifestaram contra a nomeação de Rogério Scarabel Barbosa e Davidson Tolentino de Almeida, que ainda serão sabatinados pelo Senado.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) já se disseram contra a indicação de ambos.

Segundo as entidades, Scarabel é sócio de um escritório de advocacia que informa, em seu material de divulgação, que atua “representando interesses de empresas perante a ANS”. Scarabel é sócio coordenador do escritório Imaculada Gordiano Sociedade de Advogados, em Fortaleza, para a área hospitalar e de saúde.

Davidson Tolentino, por sua vez, é ligado ao PP e estaria envolvido em um esquema de corrupção, arrecadação e armazenamento de dinheiro ilícito. A denúncia contra ele foi feita em abril por José Expedito Almeida, ex-assessor do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do partido. Segundo Almeida, Ciro, o deputado Eduardo "Dudu" da Fonte (PP-PE) e Tolentino dividiam quarto de hotel "para estocagem de dinheiro".

"Nem sabatinados deveriam ser", disse o deputado Ivan Valente (Psol), que prometeu ingressar com representação na Comissão de Ética Pública da Câmara contra as indicações.

Paulo Foletto (PDT-ES) também pediu que as nomeações sejam revistas, mas o ministro disse que a sabatina no Senado deve servir para esclarecer a situação de ambos.

"Temos que ter muito cuidado ao julgarmos as pessoas. Nós temos visto hoje um julgamento antecipado das pessoas, pelas notícias que nos chegam", disse Occhi, que se definiu como "uma pessoa do ramo do Direito, muito legalista" e que defende "a posição da Constituição de que todos são inocentes até que se prove o contrário".

"Não podemos, em função de notícias ou qualquer comentário que possa ser feito, condenar as pessoas de maneira antecipada. O processo que tem que ser feito é de competência do Senado Federal. Vamos apurar e vamos dar oportunidade para que o possam se defender", afirmou.

Fonte: Valor Econômico