Antonio Dino Tavares lembrou que o hospital filantrópico não é público, mas é comunitário. Para palestrante do GRAACC, é preciso trabalhar com a comunidade, com visibilidade e transparência nas ações

Antonio Dino Tavares FemmarA participação da comunidade no sustento e desenvolvimento dos hospitais sem fins lucrativos é fruto do reconhecimento popular quanto à relevância das instituições para a saúde brasileira. A afirmação é do presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Maranhão (Femmar), Antonio Dino Tavares, que também afirma que os hospitais gostariam de poder fazer mais pela população. Antonio Dino lembrou que o 28º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos terá um painel para debater “o resgate da participação da sociedade na sustentabilidade do hospital”, no dia 16, às 13h30, com a participação do Hospital do Amor e do GRAACC.

O presidente da Femmar contou sobre as dificuldades dos hospitais do Estado, especialmente em relação ao financiamento, atraso nos repasses do SUS e reconhecimento das autoridades. Contudo, ele afirmou que a participação da população tem contribuído para que os hospitais sobrevivam. De acordo com ele, no Maranhão, os hospitais recebem doações da comunidade e muitas pessoas adquirem títulos de capitalização que destinam percentuais para os hospitais filantrópicos. “O hospital filantrópico não é público, mas é comunitário. E acho que a comunidade nos ajuda porque entende que se não fossem os filantrópicos, a situação seria muito pior. Existe um clamor muito grande para que o filantrópico mantenha seu trabalho. Gostaríamos de fazer muito mais, mas, infelizmente, temos muitas limitações”, argumentou Antonio Dino.

A superintendente do Grupo de Apoio à Criança e Adolescente com Câncer (GRAACC), Tammy Allersdorfer, que será uma das palestrantes no painel “O resgate da participação da sociedade na sustentabilidade do hospital”, reforçou a necessidade de as instituições filantrópicas trabalharem com a comunidade. “É preciso gerar bons resultados, promovendo visibilidade e transparência sobre seus recursos financeiros, abrindo as portas para receber visitas, valorizando dos pequenos aos grandes doadores e inspirando políticas públicas”, disse. De acordo com ela, o GRAACC nasceu da parceria entre doadores, empresários e universidade, o que faz com que a participação social por meio de doações e um programa de voluntariado estruturado sejam parte da essência da instituição [leia a íntegra da entrevista com a palestrante abaixo]. O GRAACC vai apresentar seu case de sucesso durante o 28º Congresso da CMB.

Para Antonio Dino Tavares, é importante que os hospitais participem do Congresso e aprendam dos debates, ressaltando a troca de experiência e o relacionamento com os demais participantes. “Quando participamos do Congresso, as discussões tomam outra proporção. Quando discutimos entre os presidentes das Federações, temos uma visão, mas quando entram os hospitais, recebemos outras demandas, dúvidas e questionamentos que não tínhamos conhecimento. Os debates do Congresso, permitem aos participantes verem o que está acontecendo e como alcançar respostas”, disse.

GRAACC

Tammy Allersdorfer200x200.jpgA superintendente de Desenvolvimento Institucional do GRAACC, Tammy Allersdorfer, vai apresentar o case da instituição durante a palestra “O resgate da participação da sociedade na sustentabilidade do hospital”, no dia 16 de agosto, às 13h30.

Em entrevista à CMB, Tammy falou sobre o trabalho do GRAAC, a importância da participação popular e como fortalecer esse relacionamento com a comunidade. “a contribuição social é fruto da sensibilização de forma geral com relação ao tratamento da doença e é mantida como reflexo da relação de credibilidade e transparência oferecidas pelo GRAACC aos mantenedores”, explicou.

Confira a íntegra da entrevista:

 

CMB – Para o GRAACC, qual a importância da participação da comunidade na sustentabilidade da instituição?
Tammy Allersdorfer - O Hospital do GRAACC resulta de uma aliança entre sociedade, empresariado e universidade. Mais de 60% das receitas não-hospitalares são provenientes de doações de pessoas físicas e jurídica. Essa contribuição e as atividades do Voluntariado são fundamentais para que o GRAACC possa continuar oferecendo todas as chances de cura a aproximadamente 3.700 crianças e adolescentes com câncer ao ano.

CMB – Como o GRAACC institucionalizou as doações e participações de voluntários?
Tammy Allersdorfer - A sociedade, representada por doadores e voluntários, junto ao empresariado e à universidade deram origem ao GRAACC em 1991. Portanto, as doações e o voluntariado fazem parte do DNA da instituição. Atualmente, as arrecadações são segmentadas e potencializadas pela área de Desenvolvimento Institucional do GRAACC, enquanto o Voluntariado é dividido em seis áreas de atuação (que não abrangem a área da Saúde) e certificado e re-certificado pela ISO 9001. As atividades do voluntariado são de suma importância para a humanização do tratamento oferecido pelo Hospital do GRAACC e para outros serviços desenvolvidos pela instituição.

CMB – Há um programa de voluntariado? Como conseguir a participação das pessoas?
Tammy Allersdorfer - O programa de Voluntariado segue critérios para a seleção: é necessário ter 21 anos, participar de uma visita monitorada para conhecer as áreas de atuação e ter a disponibilidade de ao menos quatro horas semanais durante um ano. Atualmente, cerca de 600 voluntários se dividem em 19 setores e seis grandes áreas de atuação: Apoio à Assistência, Apoio aos Serviços, Apoio à Sustentabilidade, Relações Públicas, Qualidade e Gestão de Voluntários. Também são realizados eventos de aprimoramento para esse público, como palestras e cursos.

CMB – A contribuição social é fruto de uma sensibilização da comunidade de forma geral em relação ao trato da doença ou apenas quem já teve uma experiência com o câncer que está disposto a contribuir?
Tammy Allersdorfer - Na maioria das vezes, a contribuição social é fruto da sensibilização de forma geral com relação ao tratamento da doença e é mantida como reflexo da relação de credibilidade e transparência oferecidas pelo GRAACC aos mantenedores. Eventualmente, recebemos algumas mensagens de doadores que são familiares de pacientes e ex-pacientes, mas não temos números tabulados sobre esses doadores.

CMB – Como as instituições filantrópicas podem trabalhar com a comunidade, retomando as ações em parceria com a sociedade?
Tammy Allersdorfer - As instituições filantrópicas podem trabalhar com a comunidade gerando bons resultados e promovendo visibilidade e transparência sobre seus recursos financeiros, abrindo as portas para receber visitas, valorizando dos pequenos aos grandes doadores e inspirando políticas públicas, como o GRAACC fez por meio dos projetos Escola Móvel, que inspirou uma Lei 2865/2012, em Santos; e da Brinquedoteca, que inspirou a Lei 11.204, de 21 de março de 2005, estabelecendo a obrigatoriedade de instalação de brinquedotecas nas unidades de saúde que oferecem atendimento pediátrico em regime de internação em todo o país.

CMB – É possível manter o trabalho apenas com as doações voluntárias – quer sejam financeiras, de materiais ou de trabalho? Ou a entidade deve buscar também o investimento público?
Tammy Allersdorfer - Parte da sustentabilidade do GRAACC é garantida por recursos governamentais e o objetivo da instituição não é ficar independente desse apoio, mas uni-lo ao apoio da sociedade e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) para investir em ensino, pesquisa, equipamentos e manutenção das atividades hospitalares, com foco em cumprir a missão de garantir a crianças e adolescentes com câncer o direito de alcançar todas as chances de cura com qualidade de vida.

CMB – Que tipos de doações são recebidas? Há dedução fiscal das doações? Isso é um incentivo às empresas que querem se envolver?
Tammy Allersdorfer - O GRAACC é mantido principalmente por meio das doações mensais dos mantenedores (empresas ou pessoas físicas), mas também é possível contribuir com o combate ao câncer infantojuvenil por outros meios: doação de produtos e serviços, Marketing Social relacionado à causa, Programa Empresa Investidora, Patrocínios de eventos da instituição, Espaço Social (disponibilizando o ponto de venda para que seus clientes doem recursos ou nota fiscal paulista para o GRAACC), McDia Feliz (adquirindo tíquetes antecipados e produtos), Produtos Sociais do GRAACC (comprando pela Loja Virtual ou Brinde Social), programa Adote um Paciente. Também é possível direcionar o imposto de renda devido ao GRAACC através de Leis de Incentivo Fiscal, que motivam as empresas a se envolverem com o GRAACC e tem trazido bons resultados ao hospital.

No último ano, o trabalho do GRAACC foi reconhecido em três importantes frentes: pela excelência dos serviços hospitalares, ao receber a acreditação Joint Comission International (JCI); pelas técnicas de gestão, respeito e ambiente de trabalho, ao ser premiado com o Great Place to Work; e pela credibilidade junto à sociedade, ao ser eleito como a melhor ONG na área da saúde para se doar.