Com críticas como dificuldade de acesso logístico aos sistemas, indicador do Ipsos reflete uma percepção negativa que o brasileiro adota desde início dos problemas políticos dos últimos anos

Vivian Ito

Para 42% dos brasileiros a saúde do Brasil é extremamente ruim e apenas 2% acham boa. A percepção é disseminada tanto entre usuários de planos privados como do Sistema Único de Saúde (SUS) e não difere entre classes sociais. Os dados são da pesquisa do Instituto Ipsos. 

De acordo com a gerente da área de saúde da Ipsos no Brasil, Ana Luiza Pesce, a perda de confiança do consumidor, provocada pela nebulosidade macroeconômica, é um dos principais motivos para o resultado.

“Desde o início dos problemas do governo passado, o brasileiro está desacreditado e isso influencia a forma que ele observa todos os segmentos da economia, inclusive o de saúde”, destaca Ana Luiza.

Segundo ela, a influência do cenário macroeconômico na pesquisa fica ainda mais evidente em respostas que receberam notas extremamente negativas. “O latino-americano tende a ter respostas mais médias e altas. Dificilmente dão notas 1 e 2, na nossa escala que vai de 1 a 10”, destaca.

Quando consultados sobre o nível de contentamento, os entrevistados que utilizam o SUS apontaram 40% de insatisfação, que correspondem a nota de 1 e 2 de um total de 10. Esse descontentamento, de acordo com a pesquisa, se estende aos usuários de convênios particulares, onde a satisfação com o serviço chegou a apenas 19%, respostas de 9 e 10 pontos.

Entre os fatores que podem estar relacionados à insatisfação está a dificuldade pessoal de acesso logístico ao sistema de saúde, onde 35% relataram a situação. Como resultado destes desafios, 60% definem a saúde pública como precária, enquanto 28% acham a saúde privada satisfatória. Segundo o Ipsos, dos 68% dos brasileiros que utilizam o SUS, 61% já tiveram convênio médico. Contudo, a dificuldade de pagar (45%) e o desemprego (43%) fizeram com que esses usuários migrassem para o sistema público.

Comportamento A pesquisa também identificou que apenas 28% dos entrevistados costumam ir com regularidade ao médico como prevenção de saúde, dos quais 71% são da classe A. O resultado vai contrário à realidade do cenário que mostra que 53% dos respondentes foram diagnosticados com algum problema de saúde.

No último ano, 55% dos entrevistados apontaram que utilizaram exames laboratoriais como maior fonte de prevenção. Enquanto 32% têm uma alimentação balanceada.

Um fator que deverá exigir uma atenção extra nos próximos anos, é a forma que os brasileiros têm buscado informação sobre saúde. As buscas em sites da internet foram citadas por 61% das pessoas, um montante próximo ao grupo que busca informações através de um médico (68%).

Outro fator identificado pelo levantamento é que o financiamento de medicamentos para a população é majoritariamente particular. De acordo com o levantamento, 64% dos respondentes pagam pelos medicamentos utilizados, 25% dividem-se entre pagar pelo remédio e retirar no SUS e apenas 11% retiram exclusivamente através do SUS.

Foram realizadas para a pesquisa 825 entrevistas, sendo 46% dos respondestes homens e 54% mulheres. Ao todo, 68% usam o SUS e 32% têm plano.

Fonte: DCI (SP)

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